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Entrevista à Amanda Ziani por ocasião do lançamento do "Pequeno Inventário Poético da Fronteira Oeste" na Marco Zero.

O lançamento do livro “Pequeno Inventário Poético da Fronteira Oeste”, organizado por Vera Molina, reuniu três dos quatro poetas santanenses selecionados para integrarem a obra. Lica Almeida, Getúlio Neves e Thomaz Guilherme Albornoz Neves receberam o público e autografaram, na livraria Marco Zero, essa compilação de poesias que também conta com a produção literária da santanense Lélia Almeida. Segundo Benhur Bortolotto, proprietário da editora Proa que publicou a obra, a decisão de idealizar uma compilação de poesias veio da confiança no trabalho criterioso da professora de literatura Vera Molina, que manifestou no facebook a vontade de criar um livro com a produção literária do gênero dessa região. “Quando nos reunimos para editar o livro, nos emocionamos com diversas poesias lidas em voz alta durante o processo de seleção”, conta o editor, acrescentando que acredita ser necessário estimular a realização de saraus poéticos como os...

de Renée

XX Um poema sobre o destino que desperte o futuro na memória Meditado sem palavras por longo tempo Um poema para não ser lido A poesia basta, emana em si mesma A poesia é uma luz  no pensamento Um poema em silêncio para migrar juntos por céus opostos Que vá ao teu encalço com pressentimentos e acenda o vale em vislumbres antes que ele surja no horizonte                                                                                    1987

Campo Sem-fim

                                                 Celina Hamilton Albornoz Ir Eu lhe falei de um lugar onde nos sentiríamos no deserto. Sua compreensão me confortou. Partimos no silêncio. Mudos pelo campo sem-fim. Agarrado a minha mão, quase um menino, sua confiança não pesa nada perto dos pensamentos que não consigo tirar de mim. Viemos do acampamento dos trabalhadores sem terra. A mãe dele desapareceu depois que a polícia invadiu o barraco de lona, levando o filho mais velho. O pai morrera há pouco. Eu não conheci o meu. Nem sei se minha mãe sabia quem era. Quando encontrei o menino no meio da multidão revoltada, mãos nos ouvidos, grito sem voz, senti minha experiência de volta nas suas pernas franzinas, nos seus olhos esbugalhados. Mas não chorei. Nunca choro. Embora ainda doa o aperto do homem que me desgraçou, furando minha pele com suas unhas....

Sobre Getúlio Neves, poeta.

Em um comovente elogio à memória do seu amigo, o poeta alegretense Laci Osório, meu pai conta que começou a escrever poesia por ter sido desafiado. Conhecera Laci declamando O Trigo – uma das suas mais belas poesias – no Instituto de Radiologia do Dr. Hugolino Andrade, na década de 70. A sala do Dr. Hugo, nesse tempo, era uma espécie de oficina freqüentada à diário por seus amigos daqui e pelos que estavam de passagem na cidade para discutir política, atualizar fofocas locais e, eventualmente, medicina. Laci, notando o interesse demonstrado por meu pai, ficou de passar pelo seu consultório, o que fez naquela mesma tarde. Ele vendia, na ocasião, enciclopédias, dicionários, publicações de arte e obras literárias. Mostrou também alguns poemas em gravuras e livros da sua autoria, modestamente e sem maiores comentários. Começava assim uma relação que teria um papel relevante na vida do meu pai. O médico da província e o poeta comunista foram amigos até a morte deste, ocorrida ma...

Resteva, poemas de Getúlio Neves

Georges Schehadé

                                                                                                                                                                                              Alexandria, 1910 –    Paris 1990                                               III Se tu eras bela como os Mágicos do meu país Meu amor não chores ...