Pular para o conteúdo principal

Nota ao pé da História




28 agosto 2019
I
Quanto mimimi,esquerda e direita unida contra o intervencionismo imperialista. Estamos em que século mesmo? A Amazônia só é brasileira enquanto existir. Que adianta ser nossa e ser queimada. É um falso paradoxo. Basta preservar que o Macron para de fazer política nas costas do Bolsonaro. O certo é que a Amazônia nunca deixou de ser invadida, queimada e desmatada. E que o atual governo desdenha a ecologia como desdenha a cultura, por razões iguais. Ignorância, truculência, miopia.





II

Apoiemos portanto o boicote à carne, à soja e aos jogadores de futebol brasileiros. Agora o paradoxo é real. Para não perder mercado, o agronegócio é obrigado a preservar a floresta. Quem é mais brasileiro, pergunto aos nacionalistas, aquele que apoia o boicote e preserva a Amazônia ou quem desmata, queima e destrói porque ela é nossa?


III
Me oponho à mentalidade. É isso.
E desafio aos bolsonaristas a se posicionarem. Digam: - sou mesmo contra os índios e suas reservas. Sou contra a tudo que existe e não produz. Sou a favor do homem branco, europeu, cristão que chega aqui e se apossa. Só sou a favor a tudo que é igual, pensa igual e quer o mesmo que eu. Não admito quem é diferente, pensa diferente e quer diferente.

É isso?

IV
A mim não interessa se são as ONGs com verba cortada que estão por trás do aumento das queimadas (não dá pra comprar essa, né situação?), ou se realmente ninguém tá fiscalizando, ou pior, se existe mesmo o incentivo ao desmatamento...
E se eu estivesse dentro do ônibus com gasolina e um desequilibrado com isqueiro na mão ameaçasse queimar todo mundo vivo...
Interessa dizer que as queimadas são um crime. Que a postura do governo dizendo que a Amazônia é nossa até para queimar é criminosa. Que a floresta tem que dar lucro. (E já que estou, se os 300 e tantos milhões dão o direito a Alemanha e a Noruega a tanta propaganda, poderiam aportar algo de verdade, e não essa merreca).

Que que tem a ver com o sniper, Thomaz?
Tem a ver que o governador desce de helicóptero comemorando a morte do cara que ia incendiar todo mundo vivo.
Acho que a comemoração seria legítima se a polícia tivesse imobilizado o sequestrador. Morte alguma deveria ser motivo de júbilo.
Sim, mas o que que tem a ver com a Amazônia? Tudo, junto, misturado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mar Becker

  De Mar Becker sei que nasceu em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, e que é gêmea de Marieli Becker. Sua mãe, Meiri, costurava em casa e sua avó, Maria Manoela, foi vítima de uma tragédia não revelada às netas crianças. Que estudou filosofia e hoje mora em São Paulo, na reserva de Guarapiranga, com Domênico, seu marido. Sei que é leitora voraz, que tem bom gosto poético e que é culta, que gosta de cavalos, cães, gatos, Zitarrosa, de música nativista e de Glen Gould. Que toca violão e canta, gauchinha, com voz meiga, quase infantil. Sei outras coisas que, como estas, importam pouco, são letra fria diante do que ela escreve e da forma como escreve os poemas de "A mulher submersa", seu livro de estreia publicado pela editora Urutau.  A primeira impressão de leitura é de que esses poemas foram impelidos por instinto de urgente sobrevivência. Apesar da urgência, há neles lenta maturação e extremo refinamento. A leitura nos deixa quietos, maravilhados muitas vezes, enternecidos e ...

Outra leitura de "Oriente", por Paulo Franchetti

Passei os últimos dias navegando erraticamente pelo volume "Oriente", de Thomaz Albornoz Neves. São 771 páginas, encadernadas em capa dura, em edição rigorosamente do autor. Quero dizer: o trabalho de seleção dos textos, a tradução, as anotações, a chancela editorial, o projeto gráfico e a diagramação, tudo.  Não vou longe nestes comentários. Esse mar de poesia é amplo, a gente tem de passar entre Cila e Caríbdis várias vezes, tem de interpretar, sem ouvir, as reações desse Ulisses ao contínuo canto das sereias orientais e, por fim, não poucas vezes, na companhia imaginária dos leitores presentes e futuros, regalar-se no banquete, nos termos em que Carlos Alberto Nunes traduziu o momento da confraternização sagrada: “todos as mãos estendiam tentando alcançar as viandas”. Não li de enfiada, confesso. Um livro como esse é um companheiro de muitos anos. A gente mergulha, sai, respira, sente saudade e volta para nova imersão, exercício ou banho rápido. Outras vezes apenas para bu...

Orelha de "Oriente", por José Francisco Botelho

    A grande poesia é aquela que se mostra capaz de nos arrancar de nós mesmos, enquanto, simultaneamente, nos entranha naquilo que somos. Na vertiginosa proximidade ou na inconcebível distância —distância de mares, de terras, de séculos, de almas — esse paradoxo se revela de forma mais nítida. Por isso, a poesia do mundo é a senhora do tempo. Vejam bem: não digo que ela seja atemporal; ela existe no tempo, porém o cavalga, ou o navega, ou transita por ele, a jusante e a montante, como as ondinas da fábula. E é por isso que um grande poema escrito há três mil anos pode chegar até nós com a sinuosidade do instante presente, com o mistério das sensações e dos silêncios do corpo. Mas, para que surja a fagulha na transição de uma língua a outra, é necessário que o poema real seja traduzido por um real poeta. É então que a mágica acontece: de artífice a artífice, de criação a criação, o jogo de tempo e poesia se reacende e, nesse movimento, nos reconhecemos no longínquo e nos ree...